Trabalhar para quê?

O ato de trabalhar é tão antigo quanto a humanidade. Desde que o mundo é mundo as pessoas batalham de alguma forma pela sua sobrevivência, ou seja, elas trabalham. 

Apesar disto me impressiona a falta de iniciativa de muitas pessoas diante deste ato de sobrevivência que é o trabalho. Sim, porque salvo aqueles que nasceram em berço esplêndido e não precisam batalhar para viver, pagar suas contas, morar, estudar e etc, as outras pessoas, que é a grande maioria, precisa acordar todos os dias e sair em busca do seu sustento.

Entretanto, algumas pessoas se reservam ao direito de não fazer isto e preferem reclamar, dizer que não têm oportunidades, que a vida não é fácil para elas, que o governo não auxilia, que o marido não incentiva... E não falo das pessoas que não tiveram acesso ao conhecimento, que não tiveram as oportunidades básicas para que se formassem trabalhadores como tantos outros. Falo de pessoas que estudaram, leram, tiveram exemplos práticos, que vêem TV todos os dias e acompanham os noticiários.

Falo da acomodação, do ser mais fácil jogar no outro uma responsabilidade que é tão somente sua. E assim ir aumentando cada vez mais a fila da reclamação e da resignação.
Será uma falta de determinação? Será uma fraqueza do querer? Ou será o medo de fracassar? Sim, porque preguiça  acredito que não seja.

Só quem consegue tirar a cabeça do seu buraco pessoal é que vê a luz que há lá fora e quantas possibilidades se abrem com este ato de libertação. Querer é o primeiro e grande passo. Mas também o mais difícil, pois o querer de verdade pressupõe a busca, o ato e aí reside a maior dificuldade.

O mundo do trabalho não é fácil e a prática é bem diferente da teoria, mas apesar das dificuldades e percalços do caminho vale mais a pena seguir por este do que pelo da acomodação. Garanto que sim. E um dia, às vezes mais cedo, às vezes mais tarde, se colhe os frutos que foram plantados em algum momento da jornada.

Mª Gislaine De Bastiani