Trabalho em RH já há muitos anos, sou daquelas que as pessoas chamam de “velha guarda” na área. Por isto guardo lembranças de uma época onde havia mais vagas de emprego, mas também havia infinitamente mais pessoas interessadas em preenchê-las.
Era um tempo onde a internet não reinava como nos dias de hoje, onde era preciso andar com uma pastinha cheia de currículos e ir de empresa em empresa distribuindo-os. Era necessário ir pessoalmente quando havia uma vaga anunciada ou no máximo utilizava-se o correio para levar o CV antes de comparecer pessoalmente. Dava um trabalho...!
Esta é a grande diferença dos dias atuais, onde as pessoas utilizam-se da internet para fazer seu cadastro, já que a grande maioria das empresas já dispõe desta ferramenta para anunciar suas vagas e captar pessoas interessadas. É claro e indiscutível que isto foi um grande avanço e que facilitou em muito os trabalhadores de RH, longe de mim falar contra o evento da internet. No entanto, trouxe uma mudança de comportamento nem um pouco positiva.
Trouxe a acomodação.
As pessoas, salvo exceções, acomodaram-se com a facilidade da internet e não comparecem mais pessoalmente, querem resolver tudo pelo teclado do computador. Então cadastram-se, candidatam-se e pensam que isto tão somente as coloca dentro da empresa contratante. Perdeu-se o hábito de apresentar-se, conversar pessoalmente, mostrar as habilidades através de um contato pessoal, embora isto continue sendo imprescindível para nós, velha e jovem guarda dos serviços de seleção de pessoal.
Continua sendo indispensável conhecer a pessoa que vamos contratar, não foi inventada ainda outra forma melhor de avaliar a pessoa, mas estamos vivendo uma época onde isto fica cada vez mais penoso de acontecer, talvez porque as distâncias aumentaram, talvez porque o transporte é mais complicado ou pela simples acomodação mesmo.
Por isto lembro com saudosismo da fila depois do anuncio de empregos. Hoje temos nossa caixa de entrada abarrotada de currículos de pessoas que não fazemos a menor idéia de como sejam além daquilo que o papel consegue aceitar.
E as empresas continuam precisando contratar pessoas reais, pessoas dinâmicas, criativas, empreendedoras, que se relacionem bem, que possuam boa comunicação verbal, que sejam motivadas, pró-ativas e dedicadas e isto com certeza o papel nem a tela podem dizer.
Mª Gislaine De Bastiani